Resenha: Imaginação Social – Bronislaw Baczko

Bronislaw Baczko nasceu em Varsóvia na Polônia em 1924. Formado em filosofia leciona na Universidade de Genebra.

“Imaginação Social” é um verbete que escreveu para a Enciclopédia Einaudi, no qual procura definir e esclarecer esta nova idéia acadêmica que circulava nas Universidades da Europa, o imaginário social.

Seu artigo é organizado na seguinte ordem: “1. Elementos para uma história”; “2. Marcos para um campo de pesquisas”; “3. ‘Case-studies'”; “3.1. Imaginários sociais e violências nas revoltas camponesas do século XVII edurante o ‘Grande Medo’ de 1789”; “3.2. Imaginários sociais e simbolismo revolucionário”; “3.3. O grande terror estalinista: imaginários e poderes totalitários”.

Baczko começa o artigo explanando sobre o surgimento do interesse nos imaginários sociais, que começou ocorrer, especificamente, na década de 60, principalmente com os acontecimento de Maio de 68.

Faz um histórico dos pensadores que abordaram a temática, desde Platão e Aristóteles, passando por Weber e Marx.

Durante o texto procura sempre enfatizar suas críticas e seu ponto de vista acerca do que ele acredita ser o imaginário social, ressaltando sempre seu aspecto coletivo.

Por fim, concluí o artigo com três exemplos do imaginário social na sociedade, ressaltando o “Grande Medo” do século XVII, a Revolução Francesa, e o totalitarismo Stalinista na União Soviética.

Deixo aqui alguns trechos que considero cruciais em sua obra. Este artigo é de extrema importância a todos aqueles que trabalham com imaginários sociais e representações, uma leitura obrigatória. Possuo o artigo em pdf, se alguém se interessar posso mandar por e-mail.

Fragmentos:

“Se nos virarmos para as ciências humanas, é fácil verificar que aimaginação, acompanhada pelos adjectivos ‘social’ ou ‘colectiva’, ganhou tambémterreno no respectivo campo discursivo e que o estudo dos imaginários sociais setornou um tema na moda. As ciências humanas mostravam porém que, contrariamenteaos slogans que pediam ‘a imaginação ao poder’, esta sempre tinha estado nopoder. O paradoxo é apenas aparente. Os slogans exaltavam somente as funçõescriadoras da imaginação e, ao investirem o termo com funções simbólicas,concentravam nele as aspirações a uma vida social diferente, outra. Os antropólogos eos sociólogos, os historiadores e os psicólogos começaram a reconhecer, senão adescobrir, as funções múltiplas e complexas que competem ao imaginário na vidacolectiva e, em especial, no exercício do poder. As ciências humanas punhamem destaque o facto de qualquer poder, designadamente o poder político, serodear de representações colectivas. Para tal poder, o domínio do imaginário e dosimbólico é um importante lugar estratégico”. (p. 297).

“Seja qual for o futuro prometido ao conjunto semântico da ‘imaginação’, a sua história recente revela uma problemática que se procura e define para lá das flutuações e ambigüidades semânticas. O imaginário social é cada vez menos considerado como uma espécie de ornamento de uma vida material considerada como a única ‘real’. Em contrapartida, as ciências humanas tendem cada vez mais a considerar que os sistemas de imaginários sociais só são “irreais” quando, precisamente, colocados entre aspas. É banal, por exemplo, verificar que os percursos imaginados pelos agentes sociais para si próprios e para os seus adversários só raramente se cumprem. A posteriori, os próprios agentes ficam muitas vezes surpreendidos com os resultados das suas acções. Este desfasamento nada tira, porém, as funções reais desses percursos imaginários. Pelo contrário, apenas as põe em realce (não discutire-mos aqui nem os limites nem as deficiências da previsão: trata-se de outro problema)”. (p.298).

“Os imaginários sociais constituem outros tantos pontos de referencia no vasto sistema simbólico que qualquer colectividade produz e através da qual, como disse Mauss, ela se percepciona, divide e elabora os seus próprios objectivos. É assim que, através dos seus imaginários sociais, uma colectividade designa a sua identidade; elabora uma certa representação de si; estabelece a distribuição dos papéis e das posições sociais; exprime e impõe crenças comuns; constrói uma espécie de código de ‘bom comportamento’, designadamente através da instalação de modelos formadores tais como o do ‘chefe’, o “bom súbdito”, o ‘guerreiro corajoso’, etc.”. (p. 309)

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