A conquista da liberdade

Este primeiro post vem do exemplo que utilizei em meu pré-projeto de mestrado, com o andamento da minha pesquisa vou criando tópicos mais embasados e explicativos. Assim, fica como estréia este trabalho que produzi em janeiro/2010. As duas imagens são provenientes do jornal “A Guerra Social” do Rio de Janeiro, a primeira Ano 1 n° 1, 1911, e a segunda Ano 1 n° 2, 1911.

As duas imagens possuem um detalhe comum, a nudez do sujeito principal, esta nudez pode representar o homem puro, ou seja, livre dos males sociais que foi envolvido todos os homens ao longo da história. Assim, o homem nu, purificado, tem como missão “salvar” a sociedade da falência moral. Porém, além de puro, “natural”, este homem traz consigo uma doutrina, o “anarquismo”: o primeiro utiliza um machado, no qual está escrito em sua lâmina “anarquismo”, e este instrumento é necessário para livrar a sociedade do “mal”; o segundo têm escrito na perna “ideal libertário”, ou seja, é o sujeito que com as idéias anarquistas detém a missão de libertar a sociedade. Outro detalhe comum é que as duas imagens não possuem um cenário específico, uma “paisagem”, são simples desenhos com fundo branco, são assim, pois tem por finalidade representar um ideal, de forma didática e pedagógica, sem grandes abstrações e subjetividade. Os dois sujeitos possuem um tipo de grilhão, o primeiro, correntes em seus pulsos que foram arrebentadas, ou seja, se libertou primeiro para depois conquistar a justiça; o segundo está envolvido por cordas, que na segunda cena se liberta delas.

O primeiro desenho é o homem nu, puro, armado com um machado, que além de sua força material possui uma força ideológica – o anarquismo -, busca libertar o mundo da árvore maldita, que contém toda perversidade criada pela sociedade. Observa-se que a árvore é seca, não possui folhas, pois não contém vida. Esta árvore pode ser considerada a genealogia do capitalismo, pois contém todos os males que há neste sistema, como acreditavam os anarquistas; estes males são divididos por categorias, que são representadas por galhos, por exemplo, na ramificação iniqüidade econômica, há suas conseqüências sociais, como: prostituição, comércio, falência, agiotagem, e outros. A sustentação desta árvore é a “autoridade”, o que demonstra a crença anarquista de que a opressão social e as desigualdades têm origem na autoridade criada pelos homens, e representada, principalmente pelo Estado.

A segunda imagem é o homem puro que está fazendo uma leitura, se preparando intelectualmente para lutar pela liberdade, mas enquanto não chega esse momento os “inimigos” da sociedade tentam derrubá-lo, derrotá-lo. Estes inimigos são representados por pequenos desenhos cômicos, há a possibilidade de se identificar um sacerdote, um burguês, um militar, e uma fila de pessoas que se aproximam no horizonte. Interessante é perceber que este homem é um gigante perto dos outros, isso pode ser uma metáfora que subtende a força do anarquismo, sua grandeza. Por fim, apesar dos esforços para derrubar este homem, não conseguem, e ele se volta contra os “inimigos” com toda sua força, assim é dito pelo texto: “todos se esforçam por manietal-o, mas elle desenvolve-se, prepara-se e… dia virá em que, partindo todos os liames, triumphará, escorraçando os tyrannos”.

Por fim, vale ressaltar um último aspecto que contém nas duas imagens, o iconotexto, ou seja, um texto dentro da imagem, que tem por objetivo o complemento ou o esclarecimento dos significados embutidos da figura. É de fácil percepção que nas imagens estudadas caso não houvesse textos, ficariam um tanto confusas, elas podem ser tanto um complemento como um esclarecimento. Por último, cabe salientar que as palavras usadas são termos que fazem parte do conjunto textual da cultura política anarquista, isto fica evidente. Na segunda imagem, por exemplo, é usado o termo “tiranos” para identificar o inimigo, palavra de uso comum para designar os patrões, banqueiros, ou políticos pelos anarquistas.

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Uma resposta para A conquista da liberdade

  1. Thais disse:

    Interessante amor, não entendo nada dessas fotos, vou aprendendo aqui com você.
    beijosss (L)

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